Capa do livro Emma

Emma

Jane Austen

LeBooks Editora635 páginas

    Jane Austen (1775-1817) é considerada uma das maiores romancistas da literatura inglesa do século XIX e autora de clássicos como "Orgulho e Preconceito", "Razão e Sensibilidade", "Ema", entre outros. Jane Austen era mestra das falas reveladoras do caráter dos personagens e foi magistral ao elaborar a personalidade de Emma Woodhouse, que provoca conflitantes sensações no leitor à medida que a trama se desenvolve. A surpresa está em ir-se aos poucos percebendo as boas intenções de Emma e suas fraquezas de caráter. Emma fantasia a vida dos outros enquanto se cega para sua própria vida — inclusive para o amor por Knightley, que ela demora a reconhecer. O romance Emma foi um sucesso absoluto de público e crítica e ganhou nada menos do que nove adaptações para o cinema e a TV, sendo a mais recente, o filme neozelandês homônimo, lançado em 2020 e indicado ao Oscar de melhor filme. EMMA é uma obra atemporal e uma excelente e agradável leitura na pena magistral de Jane Austen.

    Emma, de Jane Austen

    Emma Woodhouse erra porque acredita demais na própria capacidade de entender as pessoas. É dessa confiança — ao mesmo tempo charmosa, imprudente e profundamente humana — que Jane Austen extrai a força de Emma, romance publicado originalmente em dezembro de 1815. (austen.com)

    A protagonista fantasia destinos alheios, imagina combinações amorosas e se coloca, quase naturalmente, no centro das decisões afetivas de quem a cerca. O grande interesse do livro está justamente no atrito entre suas boas intenções e os efeitos de suas atitudes. Emma não é uma heroína feita para receber aprovação imediata: sua vaidade, sua segurança social e sua dificuldade em reconhecer os próprios sentimentos podem irritar. Mas Austen não a reduz a uma figura antipática. Pelo contrário: faz de suas falhas o caminho para um amadurecimento que ganha peso emocional sem perder a leveza.

    A premissa amorosa, envolvendo Knightley e o afeto que Emma demora a enxergar em si mesma, é importante, mas não esgota o romance. Emma é também uma comédia de observação social: um livro interessado nos mal-entendidos, nas convenções, nas hierarquias e nas pequenas crueldades que podem se esconder sob conversas educadas. Austen tem um talento extraordinário para sugerir caráter por meio de diálogos, silêncios e interpretações equivocadas. Seus personagens revelam tanto pelo que dizem quanto pelo que Emma — e, junto dela, o leitor — entende errado.

    Essa é uma leitura que pede atenção ao ritmo e às sutilezas. Quem espera uma narrativa acelerada ou reviravoltas incessantes talvez encontre um andamento mais sereno, concentrado na vida social e emocional de um círculo relativamente restrito. No entanto, essa aparente delicadeza é precisamente o que sustenta o livro: cada conversa pode alterar a percepção sobre uma relação, e cada gesto impensado carrega consequências para a imagem que Emma construiu de si mesma.

    Jane Austen, romancista inglesa nascida em 1775 e morta em 1817, escreveu uma obra marcada pelo olhar crítico sobre relações, casamento, classe e expectativas sociais; Emma ocupa um lugar especial nesse conjunto por apostar numa protagonista que precisa aprender a se enxergar antes de pretender conduzir a vida dos outros. (austen.com)

    O humor do romance não elimina sua acidez. Austen observa os limites de Emma com ironia, mas também com uma compreensão rara das contradições humanas. É por isso que a personagem permanece viva: ela quer fazer o bem, mas confunde desejo, orgulho e generosidade; acredita conhecer o coração alheio, mas ainda não compreendeu o próprio.

    Emma é especialmente recomendável para leitores que apreciam romances de costumes, diálogos inteligentes e histórias de amor construídas menos por declarações grandiosas do que por autoconhecimento e percepção.