Capa do livro Quando os Cães Choram

Quando os Cães Choram

Markus Zusak

Editora Intrinseca187 páginas

    Cameron Wolfe é o caçula de três irmãos, e o mais quieto da família. Não é nada parecido com Steve, o irmão mais velho e astro do futebol, nem com Rube, o do meio, cheio de charme e coragem e que a cada semana está com uma garota nova. Cameron daria tudo para se aproximar de uma garota daquelas, para amá-la e tratá-la bem, e gosta especialmente da mais recente namorada de Rube, Octavia, com suas ideias brilhantes e olhos verde-mar. Cameron e Rube sempre foram leais um com o outro, mas isso é colocado à prova quando Cam se apaixona por Octavia. Mas por que alguém como ela se interessaria por um perdedor como ele? Octavia, porém, sabe que Cameron é mais interessante do que pensa. Talvez ele tenha algo a dizer, e talvez suas palavras mudem tudo: as vitórias, os amores, as derrotas, a família Wolfe e até ele mesmo. “A história de Zusak sobre o primeiro amor se transforma em um retrato complexo e autêntico dos desejos e das dores comuns de um garoto.” Publishers Weekly

    A garota que eu quero, de Markus Zusak

    Cameron Wolfe começa A garota que eu quero ocupando o lugar que costuma ser mais cruel dentro de uma família: o de quem se sente menor do que todos à sua volta. Enquanto Steve reúne vitórias no futebol e Rube parece ter carisma e coragem de sobra, Cam se enxerga como o irmão quieto, o garoto que não tem uma história digna de ser contada. A chegada de Octavia — justamente a namorada de Rube — transforma essa insegurança em conflito.

    O ponto mais interessante da premissa está no fato de que o romance não é apresentado como uma simples conquista. Cameron deseja amar e ser amado, mas seu sentimento nasce num terreno delicado: a lealdade ao irmão, a baixa autoestima e a tentação de transformar Octavia em símbolo de tudo o que lhe falta. É um nó emocional muito reconhecível para leitores ახალგაზრდos e adultos: querer alguém pode significar, também, confrontar a imagem ruim que se tem de si mesmo.

    A sinopse indica que Zusak usa esse triângulo afetivo para falar de algo maior do que ciúme. A pergunta não é apenas se Cameron ficará com a garota que deseja, mas se ele conseguirá encontrar uma voz própria. Quando Octavia percebe nele uma inteligência e uma sensibilidade que o próprio Cam não reconhece, o livro sugere que amadurecer depende menos de se tornar parecido com os outros e mais de aceitar aquilo que se é — inclusive as fragilidades.

    Há uma qualidade promissora na maneira como a família Wolfe aparece como parte ativa da narrativa. As vitórias, as derrotas e os amores não parecem existir isoladamente; tudo repercute na relação entre os irmãos. Rube, em especial, não é só um obstáculo romântico: é o amigo leal cuja confiança pode ser ferida. Isso dá à história uma dimensão moral que impede o enredo de se reduzir a uma disputa por Octavia.

    Ao mesmo tempo, a premissa pede cuidado com a construção da personagem feminina. Octavia surge pelos olhos apaixonados de Cameron, com sua beleza e suas ideias brilhantes, e o romance se torna mais interessante na medida em que ela não seja tratada apenas como prêmio ou catalisadora da transformação dele. O fato de a sinopse lhe atribuir percepção e iniciativa é um bom sinal: ela parece enxergar Cameron por conta própria, não apenas corresponder ao desejo dele.

    Publicado originalmente na Austrália em 2001 como When Dogs Cry e depois lançado em outros mercados como Getting the Girl, o livro pertence a uma fase inicial de Markus Zusak, autor australiano que mais tarde ganharia projeção internacional com A menina que roubava livros. (markuszusak.com) No Brasil, A garota que eu quero chegou pela Intrínseca em 2013. (intrinseca.com.br)

    Com foco em primeiras paixões, rivalidade entre irmãos e autodescoberta, A garota que eu quero é recomendado para quem busca um romance jovem mais atento às inseguranças que se escondem por trás do desejo de ser escolhido.